Oportunidades e desafios do mercado farmacêutico em 2018

By Sergiovanne Amaral Marketing Farmacêutico Nenhum comentário em Oportunidades e desafios do mercado farmacêutico em 2018

A persistente crise econômica brasileira não chegou a provocar grandes prejuízos no mercado farmacêutico. Segundo a agência internacional de pesquisas Euromonitor, o setor continua crescendo e deve faturar R$ 26,5 bilhões em 2018.

Dados da Close-Up International também apontam crescimento entre 6,9% e 9,3% para este ano. De acordo com a Associação Brasileira das Farmácias e Drograrias (Abrafarma), em 2017 o Brasil ocupava a oitava posição no ranking mundial e deve saltar para o quinto lugar até 2021. O lucrativo mercado cria oportunidades para vários setores relacionados como logística, TI e marketing.

Publicidade e marketing, inclusive, possuem importância estratégica. Devido aos limites impostos por uma rigorosa regulamentação, o desafio de atingir os diferentes stakeholders é constante. Mesmo sob forte fiscalização, o marketing farmacêutico registrou alta no primeiro semestre de 2017, com aumento de 28% nos investimentos em comparação com o mesmo período de 2016, segundo a Kantar Ibope Media.

O mercado farmacêutico e ocupou o quinto lugar em gastos com publicidade.

Listamos sete oportunidades e desafios que gestores e empreendedores precisam ficar atentos para aproveitar esta ótima fase.

1 – Mais remédios isentos de prescrição no mercado

Segundo a Associação Brasileira de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip) a participação dos medicamentos isentos de prescrição (MIPs), ou ainda os OTCs, no mercado latino-americano é de apenas 9%, um índice pequeno se comparado à América do Norte (38%) e à Europa (24%). Ainda segundo a Abimip, um número considerável de medicamentos deve ser reclassificado como MIP ainda no primeiro semestre de 2018, o que vai demandar estratégias específicas de marketing.

2 – Integração de múltiplos canais

O marketing multicanal ainda pode ser mais explorado pela indústria e pelo varejo para facilitar o relacionamento com o público-alvo. No entanto, mais que disponibilizar vários canais, é preciso integrá-los, fazendo com que “conversem” entre si. Direcionar um cliente de um e-commerce para uma loja física por meio de um atendimento em tempo real (ou vice-versa) é um dos diversos exemplos de uso do marketing multicanal. As redes sociais, logicamente, não podem ficar de fora dessa estratégia.

3 – Farmácias ampliam seu leque de atuação

Há algum tempo as farmácias têm diversificado seus produtos, incluindo artigos de beleza, higiene e bem-estar. Este movimento tende a ser expandido e estes espaços vão se firmar como verdadeiros centros de conveniência. Outra tendência que deve se manter em 2018 é a fabricação de produtos exclusivos das redes farmacêuticas. Além disso, serviços como aplicação de vacinas atrairão mais consumidores às lojas físicas e os tornarão mais próximos dos profissionais.

4 – Tecnologia e inovação cada vez mais presentes no mercado

As inovações na área de saúde facilitarão o monitoramento de pacientes, permitindo que soluções sejam oferecidas no momento certo, no canal certo e da forma certa. Inteligência artificial não é novidade nessa área, estando presente em dispositivos que avisam sobre necessidades e problemas do usuário. Gestores de marketing também serão beneficiados, podendo tomar decisões estratégicas e altamente segmentadas, em tempo real, como a mudança de preços ou o aumento da demanda por um produto em uma região específica.

5 – Genéricos e nutracêuticos em alta

Os medicamentos genéricos foram os mais vendidos no Brasil em 2017, com 32,4% de participação no mercado, segundo a Interfarma. A produção continuará sendo incentivada pelo governo, que tenta ampliar o acesso ao sistema de saúde e reduzir custos. Outro mercado que continuará aquecido é o de nutracêuticos. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Produtos Nutricionais (ABENUTRI), houve alta de 11% na venda de produtos nutracêuticos em 2017 e a procura vai aumentar em 2018, graças à facilidade do acesso à informação sobre seus benefícios.

6 – E-commerce continua crescendo

Como a legislação brasileira não permite a venda de medicamentos que exigem prescrição médica pela internet, o mercado farmacêutico aposta em artigos de higiene, perfumaria, cosméticos, bem-estar e nutrição para faturar pela internet. A estratégia tem dado certo. Estes itens ocuparam a segunda posição entre os mais comprados em plataformas online no primeiro semestre de 2017, segundo levantamento da Ebit. É importante ficar atento aos desdobramentos do lobby da indústria farmacêutica na tentativa de aprovar prescrições eletrônicas para a compra de medicamentos.

7- Os consumidores estão mais exigentes

Cada vez mais exigente, o consumidor procura informações sobre sintomas e tratamentos antes de se decidir pela compra. Não satisfeito, chega a entrar em contato com profissionais para discutir o que pesquisou. O marketing digital e o marketing de conteúdo devem ser mais explorados para fornecer soluções confiáveis, de rápido acesso e fácil interpretação.

As previsões para o mercado farmacêutico brasileiro em 2018 são tão otimistas quanto foram em 2017. No entanto, a expectativa de investimentos agressivos de grandes laboratórios e redes de varejo acirrará a concorrência e exigirá especialização e estratégias inéditas. Mesmo com o setor aquecido, não será fácil manter-se em posições favoráveis em um mercado que passa por uma revolução tecnológica e comportamental.

 

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